Márcia Miranda
Curadora do Acervo Ladjane / Editora
O processo de elaboração deste livro cujas pesquisas levaram aproximadamente 3 anos dentro do acervo da artista e a sua execução até o resultado editorial em 10 meses, partiu inicialmente de uma necessária construção de identificação conceitual entre a artista, aqui tomada como a entidade produtora, e a sua complexa obra Biopaisagem.
Uma compreensão que começou a tomar corpo à luz de indagações da natureza genética e do processo em si. Do processo de autoformação de seu CRIADOR sob o desafio de estudos profundos que Ladjane empreendeu a diversas áreas do conhecimento humano como recurso intelectual para sua elaboração pictórica, literária e documental: a Biopaisagem é o diálogo entre estas três linguagens.
Questionávamos, se estaríamos, nós, à frente de uma primorosa e bela obra de Arte e assim sendo compor sua interpretação à luz de sua própria grandeza e autonomia estética, sob espontâneas fruição e contemplação de qualquer observador, ou, se, deveríamos nos posicionar sob o desejo enfático da artista, em fortes evidências memoriais de seus manuscritos pessoais, quanto a expressar o caráter científico-filosófico de suas pesquisas reduzindo a obra a meramente ser uma linguagem interpretativa.
Assim sendo, na adoção desta última linha, a obra como pesquisa, estaríamos nós em campos epistemológicos e discursos científicos do conhecimento para cujo aporte informacional haveríamos que elaborar um corpus informacional criado pela própria tese científica da artista para o qual a submete Ladjane, a uma tradução semiótica na arte, sob um rigor da técnica, precisão e dedicação empregada por ela, em especial às obras elaboradas em bico-de-pena, com uso de lentes de aumento na elaboração de detalhes científicos minuciosos nos desenho, para expressar este seu desafio intelectual.
É fato: A Intelorgânica, nome da sua tese especulativa para a construção do conhecimento, efetivamente foi posta em execução sob união da filosofia e da ciência através da arte.
Este foi o nosso desafio inicial: tomar a construção de interlocuções para uma escuta fiel à artista, ou para a sua obra. Diante de tudo, resolvemos reunir o que de comum havia em ambas. O pensar filosófico.
Buscamos fortes aportes intelectuais na Arte, na Filosofia, na Semiótica Informacional à luz da Ciência da Informação, para o qual, empreendemos um processo voluntário de autoformação em estudos sistemáticos, desde 2006, no campo da Cultura Pernambucana, em estudos que empreendemos na FAFIRE, na Semiótica, cujo apoio obtivemos no campo da Teoria Literária, no Departamento de Letras da UFPE através da prof. Ermelinda Ferreira, e no Departamento de Ciência da Informação, para a qual, hoje, a Biopaisagem é tema de dissertação de Mestrado, em andamento, sob a orientação da Prof. Gilda W. Verri.
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